Vi uma luz que brilhava tanto,
vinte mil léguas descia,
num espelho que ofuscava
a minha tarde vazia,
tão cheia de tons imprecisos...
Os olhos afogados no mar
que não era de leite, só era branco,
não viram mais nada além do branco.
No abraço de luz, do primeiro encontro
toda cor se dissolveu.
E pensava, seria fácil e até cômico
não sentir que eu era meu.
Quase tudo eu faria, quase,
por uma vida de contemplação,
porque sou um animal idólatra.
Doze rimas eu faria,
fizesse voltar cada uma um dia,
mas, se o tempo é sempre igual,
posso costurar ele de dentro pra fora.
Despede, clarão infeliz, de tudo que vive aqui,
só, com a minha cicatriz, devo achar o que perdi.
Porque passo e torno a ficar, sei quem sou;
não preciso de nome, apenas recordar de uma cor.
Que é certo, vou me curar numa viagem,
tão logo do brilho intenso dessa miragem.
(Aline Pereira)
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Anorgasmia

Logo embaixo daquelas letras divertidas, eis que me deparo com a seguinte chamada: "Orgasmo, garanta já o seu!!!" Parei ali e fiquei um tempinho pensando, não sabia que já estavam vendendo orgasmos no mercado... Corri as páginas até o editorial, e lá estava uma bonequinha de plástico nua deitada de bruços, e mais garantias: "... Se for o caso, prolongue". Fui então, curiosa, até a página 74.
(A.P.)
Fotografia
segunda-feira, 5 de julho de 2010

Passos é um antigo sozinho, orgulhoso e disciplinado. Revendo o caminho passado, cheio de coisas desinteressantes, decide tirar um dia e acaba entrando num outro mundo. Lá, encontra uma parede muito alta pra caber o retrato do chefe da família. No trono, aquela que o serviu com obediência. Altivo, à esquerda dela, o jovem imaturo forçado a se casar. Gente confusa e seus casos arranjados. Passos vai e volta entre as histórias, troca artesanatos de luxo que provocam cíúmes entre as mulheres. Então coça a cabeça e pensa no domesticado e no rebelde. Suas vidas eram sobre espera.
(Aline Pereira)
terça-feira, 29 de junho de 2010

No vácuo ao largo, um corpo que arde
Inválido bardo ao canto, debalde:
E treme com febre, mas finge que escreve,
pendido à muleta um palhaço perneta.
Tal bobo, sacode e balança na corda,
e bêbado cede a perna, que esquece
sentindo no alto a lambida de vida
da lua, acordada, e ao meio partida.
"Falta a mim também um pedaço"
Volta à musa em consolo o palhaço,
sem dela enxergar toda a pança,
quando vem da plateia um Oh!
Arregala-se, gira o braço,
busca a amiga fatal do espaço,
e lunático em queda ele dança,
sozinho, sem partes, sem dó...
sábado, 5 de junho de 2010
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